terça-feira, 11 de março de 2014

estranho no ninho ou jamais é o caralho, rangel

dos nãos que a mim são distribuídos
sobra sempre apenas a razão desses doídos
a teimosia que de costume irrompe desde menino
o desejo intransigente de findar esse suplício

no coro dos contentes, no bailar dos mortos-vivos
nos movimentos simulados desses homens com seus vícios
no bloco dos sabidos sem pedir eu me alumio
afinando em outros tons o badalo dos meus sinos

subindo a maré dos sonhos na contra-mão dos meus próprios delírios
eu só quero me hipnotizar com a alienação dos meus próprios instintos
e quando os sins desvendarem o que se esconde por trás de meus vocábulos gírios
já estarei longe, longe
ou habituado aos meus próprios perigos

mas no fim, tanto dizer só prova que sim
a vida é isso
a verdade de se esgarçar
pra se adaptar
e encenar o brio
e o sonho de deitar na cama
e acordar criança
só mais um pouquinho

quinta-feira, 6 de março de 2014

não sou velho mas gosto de viajar

eu toco pra não explodir
eu sorrio pra não desistir
eu mudo pra não me mentir
eu minto pra me divertir

cada quadro, o som dessas vozes entrelaçadas
cerveja, dreher
um fundo laranja na minha monogamia mental
eu só falo calado
eu só falo comigo

um céu sem sol
um sol sem som
um som sem mim

vou dizer adeus
vou olhar pra trás
vou querer voltar
vou saber que não
vou voltar jamais

melhor
vou ficar, vou sorrir
vou cantar, vou viver
vou gastar a juventude que me resta nessa vida

vou dar conselhos a mim
"não beba tanto"
"não seja santo"
vou dizer que sim
vou ficar pra sempre

até não ter adeus pra dar
não ter ninguém pra abraçar
pra fumar um maço
pra sorrir do lado

vou viver o tempo
pra não pedir arrego
pra não puxar o freio
pra não pedir pra descer
pra não pedir pra voltar

na verdade, eu só quero sonhar
eu só quero contar
eu sou novo
eu sou novo e só quero viajar