passei por ela lento
manco, coxo, franco
sequelas de quedas passadas
às vezes, eu penso que eu vivo melhor de olhos fechados
de olhos fechados, eu canso menos o pescoço
é assim mesmo
não era dia, não era noite
tipo de hora que a solidão morde a coleira e te chama pra passear
late, berra, trava guerra
mimada essa solidão
é assim mesmo
a solidão sente medo
gente traz felicidade
solidão compartilhada é sorte
sorte mata
mas não era dia, não era noite
a solidão veio me chamar
mesmo manco, mesmo coxo
franco, eu não pude negar
e fui
a luz fraca do corredor competia com os poucos raios de sol
é assim toda manhã
no jogo de sombras, eu cerrei os olhos
a solidão gemeu
passei por ela lento
manco, coxo, franco
eram jornais empilhados
recém-nascidos, chorando, sangrando
implorando
exigindo olhos e mãos
mimados
é assim mesmo
passei veloz
a solidão já suspirava
aliviada com o abandono das pobres folhas
e eu corri
para que o vento soprasse meus pensamentos pra longe
na maioria das vezes, é assim
se eu fechasse os olhos
talvez não pensasse tanto
e não deixasse tanto de agir
sentei no banco à espera de uma sombra
chegou então um assovio
o silêncio da noite é mais imponente que as vozes entrelaçadas do dia
ela sentiu medo de gritar
como a solidão sente medo de me perder
o portão se abriu e ela se foi
rua afora
sorriso em riste
charrete em punho
destilando paz
felicidade é questão de costume
é assim mesmo
todo mundo tem um blog, eu quero um também
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
ex
me dá uma frase, uma auto-análise
que eu te digo de onde você veio e pra onde você vai
não é difícil contar seus passos
nem prever o buraco em que você cai
na mão dos outros, você foi refém
os caminhos da vida, trilhou no acaso
pautando as escolhas em experiências contadas
por outras vozes que nem as viveu
ficou à deriva
parou em tantos portos que se esvaziou
escondeu a infelicidade em sorrisos forçados
que de tão treinados, tornaram naturais
agora ri mesmo quando não tem graça
arrasta essa carcaça de lágrimas gélidas
tão engessadas que já fazem parte de ti
e ninguém percebe o olhar triste
a falta de crença e de motivos
que me gritam socorro
de choro a choro, de namoro a namoro
a cada ilusão de recomeço
que só traz mais sofrer a um corpo
que só se sente bem só
você cava o seu poço de mistérios
pra que ninguém te conheça demais
pra que as tentativas se percam nas milhões de facetas
pra que ninguém te conheça jamais
mas talvez ainda não seja tão tarde
pra voltar no tempo vivido
recuperar o tempo perdido
e voltar a se amar
pra não repetir o mesmo erro
de conhecer todo o mundo
e ao mesmo tempo
não conhecer ninguém
nem a si mesma
que eu te digo de onde você veio e pra onde você vai
não é difícil contar seus passos
nem prever o buraco em que você cai
na mão dos outros, você foi refém
os caminhos da vida, trilhou no acaso
pautando as escolhas em experiências contadas
por outras vozes que nem as viveu
ficou à deriva
parou em tantos portos que se esvaziou
escondeu a infelicidade em sorrisos forçados
que de tão treinados, tornaram naturais
agora ri mesmo quando não tem graça
arrasta essa carcaça de lágrimas gélidas
tão engessadas que já fazem parte de ti
e ninguém percebe o olhar triste
a falta de crença e de motivos
que me gritam socorro
de choro a choro, de namoro a namoro
a cada ilusão de recomeço
que só traz mais sofrer a um corpo
que só se sente bem só
você cava o seu poço de mistérios
pra que ninguém te conheça demais
pra que as tentativas se percam nas milhões de facetas
pra que ninguém te conheça jamais
mas talvez ainda não seja tão tarde
pra voltar no tempo vivido
recuperar o tempo perdido
e voltar a se amar
pra não repetir o mesmo erro
de conhecer todo o mundo
e ao mesmo tempo
não conhecer ninguém
nem a si mesma
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