domingo, 27 de julho de 2014

l'amour

eu não pedi o que você queria
você me deu a despedida
veio um beijo carregado
com todo o peso de uma vida

pegamos nossa história para estancar o ciúme
jogamos tudo fora pra ver como sangra o fim
a minha cara era buscar o não
a sua cara era aceitar que sim

todo dia andar com a dor
aprendendo a se esconder na paz
metade das suas sombras me comiam todo dia
mas eu não queria mais que qualquer coisa com você

agora tem que a gente explicar
quem não vive busca sempre entender o que não há
você vai me humilhar tentando se defender
e eu vou me defender tentanto te humilhar

e dentro de nós vai dormir a saudade
que vai sempre incomodar com a vida que a gente não viveu
e eu não vou te procurar
você não vai me procurar
porque a poesia não é gente pra questionar quem a quer

o amor é o primeiro drama
joga o tolo na fogueira pra ver se ele sai cantando
meu papel foi um engano
não tenho coragem pra ser louco, quanto mais para ser santo

e as horas que a gente gastou
as marcas que você deixou nesse chão vão se embora
para o bem dos outros dramas que virão

que amor nunca é pra sempre
mesmo sendo
e sempre é

perguntas demais

eu encontrei, te falei
sereno, a onda, de pé a idade
olha lá, a estrada assim valente
pudera ser eu tudo aquilo

mas eu não me calo
fiz de tudo, o óbvio, uma avenida
canta pra mim
onde está o dia?
minha alegria pode não ser

mas ninguém nesse mundo vai dizer
"deixa de lado"
você assim fugiria mais
você não sabe a coragem

cada vez que eu me deito
eu me lembro das mentiras
do meu cantar
da sua, daquela boca

a minha agora encontra o sussurro do tiro no escuro
e sua voz que num dia tem fome
e no outro, tem susto

eu sou o meu calo
fiz de tudo, até o impossível
mas não quero perguntar o óbvio
nem quero procurar no escuro