a peste bulbônica atônita com a luxúria nossa de cada dia
não entende nem metade do nosso temor pela monotonia
quem sabe eu descubra como fugir desse lugar sem te magoar
ou quem sabe um dia eu reaprenda a te calcular
não é por minha necessidade somente
que se faz necessária novamente
minha capacidade ruidosa de te controlar
quem sabe talvez eu volte a te procurar
quem sabe talvez um dia eu deseje te achar
quiçá, porventura, se eu te chamar
você virá atrás de mim?
mesmo sabendo dos meus motivos
pra zarpar correndo daqui?
é que eu não tenho certeza completa
dos meus sentimentos
e acabarei sentido saudade
de alguns nossos momentos
na verdade, eu acho que a gente devia rever
o que nos motiva somente a viver
nessa rotina que nos tira tempo, e ânimo, e fôlego, e ar
que mesmo sem plena consciência do que estou a fazer
não quero parar de sair com você
sua companhia, fora da cama, falta me fará
não diga que eu não sou o mesmo
a idade vem só recobrar
o que o tempo rasgou por inteiro
na inveja de se descartar
não é só a mim que acontece
com você também há de passar!
mas quiçá, porventura, se eu te chamar
você virá atrás de mim?
mesmo sabendo dos meus motivos
pra zarpar correndo daqui?
é que eu não tenho certeza completa
dos meus sentimentos
e acabarei sentido saudade
dos nossos momentos
todo mundo tem um blog, eu quero um também
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
sobre cachorros e almas
ele deita calado, e eu intrigado, querendo traduzir seu último suspiro
olho lá pra fora, tudo parece calculado, tudo parece ensaiado
ele sabe o que é vida? ele sabe o que é morte?
não sei, não. nem eu sei. sei lá
eu não sei de tanta coisa que me sinto mal em responder
tanta coisa que me perguntam como se eu parecesse saber
por ser diferente, por ser pior, melhor ou qualquer coisa assim
não importa, o suspiro de todo mundo é tão parecido no fim
só a gente sabe o que é morte
só a gente vive pensando nisso
só a gente sabe o que é vida
só a gente perde tempo com isso
sinto medo dele sentir medo do desconhecido
sinto mais por não poder mostrá-lo que o desconhecido não é tão ruim assim
às vezes, eu penso que eles querem nos avisar isso
mas sentem medo também
ele deve saber que tudo que eu conheço, ele conhece também
deve pensar que o que ele desconhece, eu desconheço mais ainda
desde cedo sopram as crenças dos homens nos nossos ouvidos
e não percebem a irrelevância da nossa inocência
olho lá pra fora, tudo parece calculado, tudo parece ensaiado
ele sabe o que é vida? ele sabe o que é morte?
não sei, não. nem eu sei. sei lá
eu não sei de tanta coisa que me sinto mal em responder
tanta coisa que me perguntam como se eu parecesse saber
por ser diferente, por ser pior, melhor ou qualquer coisa assim
não importa, o suspiro de todo mundo é tão parecido no fim
só a gente sabe o que é morte
só a gente vive pensando nisso
só a gente sabe o que é vida
só a gente perde tempo com isso
sinto medo dele sentir medo do desconhecido
sinto mais por não poder mostrá-lo que o desconhecido não é tão ruim assim
às vezes, eu penso que eles querem nos avisar isso
mas sentem medo também
ele deve saber que tudo que eu conheço, ele conhece também
deve pensar que o que ele desconhece, eu desconheço mais ainda
desde cedo sopram as crenças dos homens nos nossos ouvidos
e não percebem a irrelevância da nossa inocência
domingo, 9 de junho de 2013
Juiz de Fora
eu posso chegar perto de você
e começar a proferir frases sem sentido
palavras que você não tem o mínimo interesse em ouvir
mas escuta mesmo assim por interesse em outras coisas
você pode nem ouvir mas pode se fingir interessada
e eu posso me animar e continuar a discursar
até ficar sem assunto, sem saliva, sem cerveja
e inventar algum motivo para te levar comigo
pra comprar mais gasolina e reforçar a rotina
de quem se dá ao trabalho de sair de casa à noite
pra beber, pra beijar, pra dançar e pra mais merda nenhuma além disso
daí, você pode se sentir entediada
e inventar alguma desculpa pra sair de perto de mim
porque eu sou doido demais, bêbado demais, pobre demais
porque eu falo demais ou porque eu conto moedinhas pra ficar muito pior
ou você pode se encantar
com um ser humano tão único
e tão neandertal como eu
você pode optar pelo estudo antropológico
de conhecer mais à fundo a mim
e não querer voltar para a velha história de drink na mão
dancinha discreta, olhares de ombros
reconhecimento de campo e pensamentos voltados
para uma fuga que pode ocorrer a qualquer momento
já que as estrelas atraem os loucos,
e as bundas atraem muito mais
depois, a gente pode se beijar
e pôr em prática o que se propôs
quando viemos pra cá
ou então, a gente pode conversar
e poluir o ar com frases sujas
e outras coisas mais
enquanto a noite ainda vigorar
eu posso te amar muito mais do que já te amaram alguma vez
mas quando amanhecer, eu peço apenas
que nenhum de nós pensemos que agiremos
da forma como à noite se fez
sendo assim, eu posso te enrolar e contar mais umas histórias
sobre o nosso futuro
mas o futuro não demora a chegar
e, não sei quanto a você, mas eu prefiro pular todas essas asneiras
que são sempre tão iguais e tão superficiais
porque todo mundo sabe que o que se diz aqui
quase nunca é verdade e não se pode confiar
nós dois sabemos bem onde isso pode chegar
e é recíproca a vontade, meu bem
por isso, não se assute quando eu te beijar
lá em Juiz de Fora, devem fazer isso também
e começar a proferir frases sem sentido
palavras que você não tem o mínimo interesse em ouvir
mas escuta mesmo assim por interesse em outras coisas
você pode nem ouvir mas pode se fingir interessada
e eu posso me animar e continuar a discursar
até ficar sem assunto, sem saliva, sem cerveja
e inventar algum motivo para te levar comigo
pra comprar mais gasolina e reforçar a rotina
de quem se dá ao trabalho de sair de casa à noite
pra beber, pra beijar, pra dançar e pra mais merda nenhuma além disso
daí, você pode se sentir entediada
e inventar alguma desculpa pra sair de perto de mim
porque eu sou doido demais, bêbado demais, pobre demais
porque eu falo demais ou porque eu conto moedinhas pra ficar muito pior
ou você pode se encantar
com um ser humano tão único
e tão neandertal como eu
você pode optar pelo estudo antropológico
de conhecer mais à fundo a mim
e não querer voltar para a velha história de drink na mão
dancinha discreta, olhares de ombros
reconhecimento de campo e pensamentos voltados
para uma fuga que pode ocorrer a qualquer momento
já que as estrelas atraem os loucos,
e as bundas atraem muito mais
depois, a gente pode se beijar
e pôr em prática o que se propôs
quando viemos pra cá
ou então, a gente pode conversar
e poluir o ar com frases sujas
e outras coisas mais
enquanto a noite ainda vigorar
eu posso te amar muito mais do que já te amaram alguma vez
mas quando amanhecer, eu peço apenas
que nenhum de nós pensemos que agiremos
da forma como à noite se fez
sendo assim, eu posso te enrolar e contar mais umas histórias
sobre o nosso futuro
mas o futuro não demora a chegar
e, não sei quanto a você, mas eu prefiro pular todas essas asneiras
que são sempre tão iguais e tão superficiais
porque todo mundo sabe que o que se diz aqui
quase nunca é verdade e não se pode confiar
nós dois sabemos bem onde isso pode chegar
e é recíproca a vontade, meu bem
por isso, não se assute quando eu te beijar
lá em Juiz de Fora, devem fazer isso também
só para nós
a felicidade ao sentir o cheiro
da saudade que ficou
no meu cobertor
só não é maior que a dor
desse silêncio ensurdecedor
se ouvir nossos discos antes
me fazia sempre concordar
em como tudo era tão bom
hoje a sinfonia suja do asfalto
me parece até um show do Tom
a cidade grita
e tudo que eu sei escutar
é só a sua voz
um desespero atroz
toma conta do meu mundo
e não me deixa respirar
e eu já nem quero mais
já não me satisfaz a paz
nem mesmo em outro coração
não é bom morrer de amor
e continuar vivendo não
a cidade grita
e tudo que eu sei escutar
é só a sua voz
um desespero atroz
toma conta do meu mundo
e não me deixa respirar
e eu já nem quero mais
somente satisfaz a paz a mim
com o teu coração
a cidade grita
e tudo que eu sei escutar
é só a sua voz
um desespero atroz
toma conta do meu mundo
e não me deixa respirar
e eu já nem quero mais
vamos nos encontrar
vamos nos abraçar
vamos desafiar a morte
a vida, a sorte
o céu e mais
a eternidade só para nós
só para nós
da saudade que ficou
no meu cobertor
só não é maior que a dor
desse silêncio ensurdecedor
se ouvir nossos discos antes
me fazia sempre concordar
em como tudo era tão bom
hoje a sinfonia suja do asfalto
me parece até um show do Tom
a cidade grita
e tudo que eu sei escutar
é só a sua voz
um desespero atroz
toma conta do meu mundo
e não me deixa respirar
e eu já nem quero mais
já não me satisfaz a paz
nem mesmo em outro coração
não é bom morrer de amor
e continuar vivendo não
a cidade grita
e tudo que eu sei escutar
é só a sua voz
um desespero atroz
toma conta do meu mundo
e não me deixa respirar
e eu já nem quero mais
somente satisfaz a paz a mim
com o teu coração
a cidade grita
e tudo que eu sei escutar
é só a sua voz
um desespero atroz
toma conta do meu mundo
e não me deixa respirar
e eu já nem quero mais
vamos nos encontrar
vamos nos abraçar
vamos desafiar a morte
a vida, a sorte
o céu e mais
a eternidade só para nós
só para nós
arbítrio
desfila por aí seu vazio fétido
o corpo arruinado pedindo socorro
piscando o olho como atira um soldado
torturado pelo desejo de sangue de outro
remoendo passado e futuro
tomando de assalto o próprio presente
pesado de tanta mágoa, de tanto receio
e de tanto desejo de tornar a vida poeira
e eu me pego pensando
tentando entender meu relógio
tentando tornar proveitoso algum pensamento
que só faz me afastar da vida real
e me aproximar da eternidade
da plenitude rubra
da paz do cheiro de gim
sim, não sou diferente
e o que me separa?
a ambição mórbida do dinheiro?
o calor de fevereiro?
o sol queima meu corpo e faz sombra
esconde meu próprio vazio
sufoca meu grito desesperado
por trás do julgamento de outro
e o ardor da luz me acalma
me acalenta enquanto não sei o que faço
enquanto meu único pedido de socorro
não me deixa ter livre arbítrio
o corpo arruinado pedindo socorro
piscando o olho como atira um soldado
torturado pelo desejo de sangue de outro
remoendo passado e futuro
tomando de assalto o próprio presente
pesado de tanta mágoa, de tanto receio
e de tanto desejo de tornar a vida poeira
e eu me pego pensando
tentando entender meu relógio
tentando tornar proveitoso algum pensamento
que só faz me afastar da vida real
e me aproximar da eternidade
da plenitude rubra
da paz do cheiro de gim
sim, não sou diferente
e o que me separa?
a ambição mórbida do dinheiro?
o calor de fevereiro?
o sol queima meu corpo e faz sombra
esconde meu próprio vazio
sufoca meu grito desesperado
por trás do julgamento de outro
e o ardor da luz me acalma
me acalenta enquanto não sei o que faço
enquanto meu único pedido de socorro
não me deixa ter livre arbítrio
Ana
Ana entrou na vida como fumaça
depois de um sopro terno
pairou no ar, flutuando majestosa
vivendo como quem surfa ondas mansas
como quem trilha veredas brandas
tentou fugir do vento, ainda que lento
mas se perdeu nas palavras e foi-se
foi
como o ar
se dissipa em sua própria infinidade
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