Como tudo muda em três anos. De repente me deu vontade de escrever aqui, qualquer coisa que não fizesse tanto sentido ou tivesse alguma utilidade prática. 90% do que eu escrevo começa com essa justificativa, tirar algo do nada pela simples necessidade de tê-lo. É quase uma mistura de orgulho, vaidade e medo. Orgulho de ser um nascedouro. Vaidade por ser esse nascedouro. Medo de não nascer nada.
Por isso justifico, senão sentava e escrevia o que me desse na cabeça. Fui muito tolido esses anos todos, muito louvado também. Algumas pessoas acham algumas coisas que eu faço brilhantes, outras pessoas acham que minha escrita é um lixo, que eu não tenho talento algum. Na balança, entre um e outro, eu fico comigo mesmo, que no momento não me acho porra nenhuma porque não tenho criado nada de novo. Depois de aprender sozinho a criar sozinho e, como Brecht, falhar e falhar de novo, falhar melhor.
Eu gosto de ficar sozinho. Penso melhor sozinho. Me poupo sozinho, e minhas fases loucas são justamente as em que me são extirpados o silêncio e a paz de não estar com ninguém. O que parece também escroto, visto de um lado. Mas eu sou meio escroto. No momento, meu embate interno é esse. Eu preciso não ser tão escroto? Será que é esse que eu sou?
Eu que nunca tive crise de adolescência, que sempre tive minhas escolhas muito bem definidas, me sinto nadando numa piscina sem cabeça. É de manhã, eu troco o dia pela noite, quero fazer meu dia útil. Meu cachorro me olha com cara de assustado, "é pra acordar agora?", me pergunta.
"Não tem uma regra, meu filho. Você pode dormir o dia todo."
As pessoas acordam ao redor dele, ele parece apreensivo. "Se todos acordam, porque eu tenho que continuar dormindo?".
"Porque você não tem coisa melhor pra fazer, meu filho. Você pode dormir o dia todo."
Queria que alguém dissesse isso pra mim. Assim, desse jeito, feito um conselho paterno. De preferência com validez para tal. Pra não soar o conselho errado que é.
Não vou discutir aos berros mais, porque eu gasto minha voz e só ganho no grito quando eu quero gritar, quando eu tenho interesse. Gastar meu empenho medindo força na voz? Já faço isso na minha banda.
Mas eu to um pouco cansado de muita gente falando muita besteira na internet como se fosse entendido do assunto. Enchendo de verborragia e meias-informações desimportantes análises infantis de obras que não têm capacidade de compreender.
A diferença pra mim é que eu admito a minha incapacidade. Por isso, critico. Não faço melhor. Apenas não faço. É tão simples.
Aí me dizem que eu sou amargo. Me dizem que eu falo merda. E, de fato, o que eu tenho falado de merda por esses meses superam toda a merda que eu já disse em toda a minha vida. Porque minha cabeça foi pra casa do cacete, como foi dito anteriormente, e eu me sinto nadando sem cabeça. Prestes a bater de pescoço em carne viva na parede da piscina sem nem prestar atenção de pra onde eu estou indo. Acontece, né.
Esse blog aqui, eu abandonei pouco antes de me tornar quem eu precisava ser pra conseguir minha liberdade. Abandonei em construção. Minha independencia eu queria dizer minha alegria, minha felicidade de estar só. Perdi essa força. E digo com toda a certeza que ninguém me quer por perto sem ela. Nem quem eu conheço, nem quem eu to pra conhecer.
Agora meu cachorro boceja, abre a boca e se prepara pra um dia novo. Os cachorros acordam felizes porque tem memória recente. Todo dia é uma chance de ser espetacular. Porque o inesquecível pra eles, é esquecido rapidinho. E logo eles tão prontos pra outra. Quase uma aula de vida. Com uma sabedoria que a gente não tem.
Talvez aqueles que não pensam.
A ignorância é uma dádiva.
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