desfila por aí seu vazio fétido
o corpo arruinado pedindo socorro
piscando o olho como atira um soldado
torturado pelo desejo de sangue de outro
remoendo passado e futuro
tomando de assalto o próprio presente
pesado de tanta mágoa, de tanto receio
e de tanto desejo de tornar a vida poeira
e eu me pego pensando
tentando entender meu relógio
tentando tornar proveitoso algum pensamento
que só faz me afastar da vida real
e me aproximar da eternidade
da plenitude rubra
da paz do cheiro de gim
sim, não sou diferente
e o que me separa?
a ambição mórbida do dinheiro?
o calor de fevereiro?
o sol queima meu corpo e faz sombra
esconde meu próprio vazio
sufoca meu grito desesperado
por trás do julgamento de outro
e o ardor da luz me acalma
me acalenta enquanto não sei o que faço
enquanto meu único pedido de socorro
não me deixa ter livre arbítrio
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