eu posso chegar perto de você
e começar a proferir frases sem sentido
palavras que você não tem o mínimo interesse em ouvir
mas escuta mesmo assim por interesse em outras coisas
você pode nem ouvir mas pode se fingir interessada
e eu posso me animar e continuar a discursar
até ficar sem assunto, sem saliva, sem cerveja
e inventar algum motivo para te levar comigo
pra comprar mais gasolina e reforçar a rotina
de quem se dá ao trabalho de sair de casa à noite
pra beber, pra beijar, pra dançar e pra mais merda nenhuma além disso
daí, você pode se sentir entediada
e inventar alguma desculpa pra sair de perto de mim
porque eu sou doido demais, bêbado demais, pobre demais
porque eu falo demais ou porque eu conto moedinhas pra ficar muito pior
ou você pode se encantar
com um ser humano tão único
e tão neandertal como eu
você pode optar pelo estudo antropológico
de conhecer mais à fundo a mim
e não querer voltar para a velha história de drink na mão
dancinha discreta, olhares de ombros
reconhecimento de campo e pensamentos voltados
para uma fuga que pode ocorrer a qualquer momento
já que as estrelas atraem os loucos,
e as bundas atraem muito mais
depois, a gente pode se beijar
e pôr em prática o que se propôs
quando viemos pra cá
ou então, a gente pode conversar
e poluir o ar com frases sujas
e outras coisas mais
enquanto a noite ainda vigorar
eu posso te amar muito mais do que já te amaram alguma vez
mas quando amanhecer, eu peço apenas
que nenhum de nós pensemos que agiremos
da forma como à noite se fez
sendo assim, eu posso te enrolar e contar mais umas histórias
sobre o nosso futuro
mas o futuro não demora a chegar
e, não sei quanto a você, mas eu prefiro pular todas essas asneiras
que são sempre tão iguais e tão superficiais
porque todo mundo sabe que o que se diz aqui
quase nunca é verdade e não se pode confiar
nós dois sabemos bem onde isso pode chegar
e é recíproca a vontade, meu bem
por isso, não se assute quando eu te beijar
lá em Juiz de Fora, devem fazer isso também
Nenhum comentário:
Postar um comentário