segunda-feira, 12 de agosto de 2013

quem sabe

a peste bulbônica atônita com a luxúria nossa de cada dia
não entende nem metade do nosso temor pela monotonia
quem sabe eu descubra como fugir desse lugar sem te magoar
ou quem sabe um dia eu reaprenda a te calcular

não é por minha necessidade somente
que se faz necessária novamente
minha capacidade ruidosa de te controlar
quem sabe talvez eu volte a te procurar
quem sabe talvez um dia eu deseje te achar

quiçá, porventura, se eu te chamar
você virá atrás de mim?
mesmo sabendo dos meus motivos
pra zarpar correndo daqui?
é que eu não tenho certeza completa
dos meus sentimentos
e acabarei sentido saudade
de alguns nossos momentos

na verdade, eu acho que a gente devia rever
o que nos motiva somente a viver
nessa rotina que nos tira tempo, e ânimo, e fôlego, e ar
que mesmo sem plena consciência do que estou a fazer
não quero parar de sair com você
sua companhia, fora da cama, falta me fará

não diga que eu não sou o mesmo
a idade vem só recobrar
o que o tempo rasgou por inteiro
na inveja de se descartar
não é só a mim que acontece
com você também há de passar!

mas quiçá, porventura, se eu te chamar
você virá atrás de mim?
mesmo sabendo dos meus motivos
pra zarpar correndo daqui?
é que eu não tenho certeza completa
dos meus sentimentos
e acabarei sentido saudade
dos nossos momentos

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