terça-feira, 28 de janeiro de 2014

ex

me dá uma frase, uma auto-análise
que eu te digo de onde você veio e pra onde você vai
não é difícil contar seus passos
nem prever o buraco em que você cai

na mão dos outros, você foi refém
os caminhos da vida, trilhou no acaso
pautando as escolhas em experiências contadas
por outras vozes que nem as viveu

ficou à deriva
parou em tantos portos que se esvaziou
escondeu a infelicidade em sorrisos forçados
que de tão treinados, tornaram naturais

agora ri mesmo quando não tem graça
arrasta essa carcaça de lágrimas gélidas
tão engessadas que já fazem parte de ti

e ninguém percebe o olhar triste
a falta de crença e de motivos
que me gritam socorro
de choro a choro, de namoro a namoro
a cada ilusão de recomeço
que só traz mais sofrer a um corpo
que só se sente bem só

você cava o seu poço de mistérios
pra que ninguém te conheça demais
pra que as tentativas se percam nas milhões de facetas
pra que ninguém te conheça jamais

mas talvez ainda não seja tão tarde
pra voltar no tempo vivido
recuperar o tempo perdido
e voltar a se amar

pra não repetir o mesmo erro
de conhecer todo o mundo
e ao mesmo tempo
não conhecer ninguém

nem a si mesma

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